
Novidades
Da casa de barro aos laboratórios do mundo
0 —
[ caption id="attachment_20147" align="aligncenter" width="169"]
Acima, na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), na primeira aproximação com a ciência, e abaixo, em Oxford, onde fez três pós-doutorados: experiências intensas. Fotos: Arquivo pessoal[ /caption]
Na iniciação científica, encontrou a possibilidade de ganhar um salário. “Até então, sinceramente, eu não tinha noção de quão importante era a ciência”, diz. Daí para a frente, tudo foi muito rápido e intenso — e não tão menos sofrido sob o ponto de vista do esforço. Gustavo mergulhou na pesquisa nos últimos vinte anos, estudando, se desafiando e ensinando. Fez mestrado na Federal da Bahia, doutorado na USP, três pós-doutorados em Oxford e trabalhou em Berna, na Suíça. Conheceu o PENSI por intermédio do irmão caçula, William Cabral de Miranda, que, vejam só o poder do DNA, é pesquisador e consultor do instituto na área de geoprocessamento e análise espacial. Hoje, Gustavo lidera o desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus no Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP).
Trabalha com um grupo de sete pessoas: duas estudantes de mestrado, quatro de doutorado e um estudante de pós-doutorado. Parte da pesquisa é feita no ICB e parte no PENSI. “A formulação das vacinas fazemos praticamente toda no laboratório do PENSI e os testes com os animais, no biotério da USP. Isso é uma coisa muito bacana: utilizamos o melhor que cada estrutura nos proporciona”, conta Gustavo.
Explorar o que cada laboratório tem de melhor e dividir o espaço com outros pesquisadores foi um dos aprendizados que Gustavo trouxe da Universidade de Oxford. “Lá os laboratórios são lindos, grandes, mas muitos professores usam. Não há dez centímetros do espaço que ficam sem serem utilizados. Então pouco importa o tamanho do laboratório. Precisa ter essa dinâmica da utilidade e da troca entre cientistas, médicos, estudantes…”
[ caption id="attachment_20145" align="aligncenter" width="300"]
Com os pais e irmãos na casa de barro do avô, em Creguenhem: trabalho na roça para conseguir a comida do dia. Foto: Arquivo pessoal[ /caption]
E quais os ganhos em fazer pesquisa em um laboratório que tem parceria com um hospital? “Perspectiva”, enfatiza ele. “Porque tem uma coisa que na ciência a gente perde muito, principalmente aqui no Brasil, que é a possibilidade de levar o que nós produzimos para estudos clínicos. Então quando temos essa possibilidade, ter uma conexão com um hospital como o Sabará e o suporte de uma fundação como a FJLES, a gente consegue desenvolver todo o trabalho em condições laboratoriais para futuramente chegar e falar com a Anvisa: ‘Olha, nós temos aqui todos os resultados desenvolvidos em boas condições laboratoriais e temos a estrutura para fazer teste em seres humanos’. Porque essa é a grande questão aqui no Brasil! Nós fazemos muita ciência de base e não levamos para estudos clínicos. Produzimos bastante, publicamos muito e o que as empresas fazem? Utilizam a publicação, as equipes fazem apenas pequenas adaptações, patenteiam e fabricam o produto.”
Gustavo ainda encontra tempo para falar sobre ciência de um jeito fácil. O pesquisador tem milhares de seguidores no TikTok, onde publica vídeos didáticos sobre a importância da vacinação. “É uma oportunidade de a gente se aproximar das pessoas, quebrar barreiras e os muros da universidade. Quando temos a sociedade ao nosso lado, a ciência é muito mais forte”, acredita.
Com essa capacidade de se comunicar e improvável e bem-sucedida trajetória, Gustavo Cabral poderia fazer ciência em qualquer lugar. Escolheu estar no PENSI, um instituto jovem, de apenas dez anos. “Aqui temos tudo de que precisamos para revolucionar muita coisa na ciência. Eu acredito”, afirma. Voltando ao começo desta reportagem: alguém arrisca apostar qual é a probabilidade de que isso aconteça?
TEXTO: Rede Galápagos
LEIA MAIS:
Unidos pela ciência
Criança não é adulto pequeno
Sabará e PENSI produzem ciência sobre terapia intensiva