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O Brasil tem cientistas talentosos e indústria para criar e produzir vacinas
0 —“Em 12 meses conseguimos desenvolver as vacinas para covid-19, e acho que agora temos capacidade de criar ferramentas para abreviar esse tempo. Eu faço parte de algumas etapas dessa missão que pretende lançar uma vacina em 100 dias.”
Além das testagens realizadas no Brasil, a dra. Sue Ann esteve envolvida com atividades dos 22 centros de pesquisa em 7 países na América Latina — parte da rede colaborativa do Covax Facility. Colaboração, ela diz, é essencial para que uma vacina passe por todas as fases de seu desenvolvimento. “Se não trabalharmos bem e de forma coletiva, não vamos a lugar nenhum”, observa. Segundo ela, é preciso estimular pesquisadores em todo o mundo para explorar grandes ideias coletivamente, em cada etapa do caminho, desde a descoberta até o impacto de uma vacina ou de um fármaco. Também é necessário identificar prioridades estratégicas, fomentar, dar suporte, sempre focando em oportunidades reais para transformar vidas, estimulando a inovação em todo o seu potencial. Esses são objetivos importantes e atraem a possibilidade de conseguir fundos internacionais e boas parcerias. A tônica da sua aula magna foi analisar os casos de sucesso no mundo e também detalhar quais são os desafios que é preciso ultrapassar, em terras brasileiras, para que uma vacina possa ser desenvolvida do mapeamento do antígeno até o licenciamento e lançamento do produto. “Desafios existirão sempre. Nós, pesquisadores, é que temos que incansavelmente buscar os meios e o financiamento para combatê-los”, disse ela em suas conclusões finais. A dra. Sue Ann considera que o Brasil já provou ter muitos talentos e expertise, pois conta com excelentes pesquisadores e infraestrutura acadêmica; dispõe de uma indústria privada ativa e de tamanho adequado para investimentos; tem uma indústria pública ativa e produtiva. “Um dos lados negativos é o escasso incentivo privado à inovação”, ressalta. Veja alguns desafios apontados por ela para levantar fundos internacionais de diversas instituições científicas e não ficar apenas dependendo de governos:- Os custos do desenvolvimento clínico são mais elevados do que na maioria dos países da Ásia, embora mais baixos do que nos EUA e na África.
- Existe uma dificuldade de comunicação na língua inglesa. Poucos pesquisadores brasileiros são realmente fluentes em inglês, e ter um intermediário tradutor gera aumento de custos e também atrapalha a rapidez do fluxo com que as informações científicas precisam ser passadas para a indústria.
- Os tempos para aprovações éticas e regulatórias não são competitivos.
- Há escassez de centros de excelência em pesquisa que possam se responsabilizar pelo processo todo, do design da vacina até o licenciamento.
- Faltam treinamento e formação de profissionais em pesquisa e desenvolvimento.
- Falta o reconhecimento de oportunidades de parcerias e financiamentos internacionais, pois existem instituições de fomento e existem ferramentas para procurá-las.
